terça-feira, 8 de março de 2011

Como nasceu o amor romântico?


A pergunta que se faz parece não interessar a muita gente. Mesmo assim refletir sobre ela faz lembrar que o Amor nunca é demais e que as pessoas devem se amar mais e melhor em cada novo dia, dando maior sentido à vida. Essa motivação deve povoar qualquer terra em que os seres humanos amem, bem como qualquer tempo onde as pessoas sonhem. Deve habitar a vida.
Para refletir sobre a indagação inicial andei por muitos lugares procurando uma resposta. Por fim apelei para os historiadores e estudei o amor através dos tempos e seguindo passo a passo a construção da civilização ocidental, eu estudei o amor entre os Gregos, o amor entre os Romanos, o amor entre os Judeus. Entrei no cristianismo e estudei o amor na ótica de Agostinho, Jerônimo e Tertuliano, e me vi na Idade Média e lá contemplei o amor dos plebeus e dos nobres, e até o amor escondido nos conventos. Depois saí pelos castelos acompanhando os trovadores e vi nascer entre eles o amor cortesão, onde só os filhos primogênitos se casavam por causa das heranças, que não eram divididas. Assim, sobravam vários jovens solteiros que se apaixonavam pelas damas e que só podiam viver um amor idealizado, logo sofrido.
Depois, notei que o amor se fez ridículo, desprestigiado, tanto que na Idade da Razão ele fora reduzido à mera sensualidade. Seduzia-se pelo prazer de seduzir e não necessariamente pelo prazer do amor. Foi ali que encontrei Giovani Jacopo, Casanova e Don Juan Tenório de Servilha, o célebre Don Juan, personagem encantador de uma comedia escrita por Tirso Molina, no século XVII.  Surgiu nesta esteira, no Ocidente, o amor romântico, que se caracterizava pelo fato de amar o ato de amar, ou seja, não se amava o outro e sim, o amor, não se importando em possuir objeto de amor, mas sim, sofrer e até morrer por amor. Antes, as pessoas não casavam por amor. Isso é uma coisa recente já que casamento era uma coisa muito séria para se misturar com amor.”
Nos fins do século XVII o amor teve um novo alento. Nasceu cheio de sonhos e de fantasia. Era o amor romântico, o amor de Pierrot e Colombina, o amor de Romeu e Julieta, o amor de Tristão e Isolda, todos rígidos e marcados por impossibilidades. Quanto mais obstáculos a transpor, mais apaixonado ele se torna. Entretanto, em um determinado momento, interesses econômicos introduziram esse tipo de amor no casamento, transformando toda a sua história. A chegada do amor romântico fez do casamento o meio para as pessoas realizarem suas necessidades afetivas.
Até a Revolução Industrial, no final do século XVIII, as pessoas moravam mais no campo, junto a vários outros membros da família, o que fazia com que sentissem afetivamente amparadas. Os casamentos aconteciam por razões econômicas e políticas. Por isso duravam a vida toda. Não havendo romance nem expectativa de satisfação sexual, não havia decepções, e ninguém pensava em se separar.
Mas as fábricas e os escritórios que surgiam foram atraindo os homens para trabalhar nos centros urbanos. Nasceu, então, a família nuclear - mãe, pai, filhos - agora sozinhos na cidade. Para que o casal suportasse viver assim, longe daqueles com quem tinha laços afetivos, inaugurou-se o amor romântico no casamento.

                                                                                (Luisa Lessa)




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